CULTURA

‘Infelizmente ser LGBTQIAPN+ no Brasil é estar no alvo do ódio’

15/06/2024 12:30




 Nesta segunda edição da coluna no Mês do Orgulho LGBT+, o assunto é saúde mental. Um assunto mais que necessário em tempos pós-pandemia, onde muitos LGBTs sofreram sérias consequências na convivência familiar durante o período de distanciamento social. Como se não bastasse isto, temos um cenário político extremamente hostil a estas pautas. Resumindo: haja saúde mental!

Ao escrever a coluna desta edição, nos deparamos com uma publicação nas redes sociais do psicólogo pontenovense Alex Sodré, que nos deu o depoimento sobre saúde mental aqui reproduzido.

Publicou Alex: “O Mês do Orgulho LGBTQIAPN+ é celebrado em junho em muitos países ao redor do mundo. Esta celebração tem suas raízes nos Distúrbios de Stonewall, que ocorreram no final de junho de 1969, em Nova York, e são considerados um marco importante na luta pelos direitos LGBTQIAPN+.

Durante o mês de junho, diversas atividades, paradas e eventos são realizados para promover a igualdade, a visibilidade e os direitos da comunidade LGBTQIAPN+. É um período de celebração das conquistas, de homenagem às vidas perdidas devido à discriminação e à violência e de contínua luta por um mundo mais justo e inclusivo para todos. Eu, como psicólogo e gay, me vejo ainda mais responsável por mudar essa realidade de ódio e de falta de conhecimento adequado, e a melhor forma de extinguir o preconceito é com o conhecimento e diálogo.”

Não tem como não acrescentar tal texto nesta edição.

Agora sim vamos ao depoimento que o psicólogo nos deu a respeito do nosso tema:

‘Saúde mental da população LGBTQIAPN+’

“Quando falamos de saúde mental no Brasil, nos deparamos com uma deficiência bastante expressiva, pois os casos de ansiedade generalizada, depressão, estresse pós-traumático e casos de tentativas ou conclusão de suicídio vêm crescendo de forma alarmante. Precisamos, pois, ter um olhar diferente quando se trata da população LGBTQIAPN+. É necessário que todos os profissionais de saúde estimulem um olhar bastante humano e empático para com esta população.

A orientação sexual ou identidade de gênero de um indivíduo não deveria definir se você vai ter ou não algum transtorno mental, mas nossa realidade é bastante nebulosa e cheia de desafios cruéis, pois os LGBTQIAPN+ enfrentam maiores riscos do que a população heterossexual de sofrerem adoecimentos mentais.  O Grupo Gay Bahia mostrou em uma pesquisa feita por eles que o Brasil registrou 257 mortes violentas de pessoas LGBTQIA+ em 2023, uma a mais que em 2022, e segue como o país mais homotransfóbico do mundo. Essa realidade demonstra que a saúde mental desta população está repleta de carências, o que abre brechas para um aumento gradativo desse pesadelo.

A revista científica americana Pediatrics revelou com uma pesquisa que 62,5% das pessoas que se identificam como LGBTQIA+ em algum momento de suas vidas já pensaram em suicídio.

Podemos ver um amontoado de fatores que propiciam uma vulnerabilidade maior de riscos de adoecimentos mentais, como: não aceitação, padrão rígido da sociedade, uso abusivo de álcool e drogas, equipamentos públicos ineficazes, entre outros fatores que podemos ver com bastante clareza em casos de estresse de minorias.

Até o presente momento, vivemos em uma sociedade marcada por uma violência estrutural a respeito da orientação sexual, acarretando para os indivíduos LGBTQIAPN+ uma vida com diversos tipos de violência combinando na formação de um grande sofrimento psíquico. 

Quando o trauma é instaurado no indivíduo devido à exposição por homofobia, bifobia, transfobia ou bullying, a partir desses eventos vemos geradores de sentimento de vergonha baseados no ódio do outro. O que impacta de maneira negativa diretamente a construção da identidade da pessoa LGBTQIAPN+ e com isso começa a realidade traumática para essa população. Mostra-se muito claro que essa comunidade está na linha de frente de diversas formas de desrespeito, incluindo rótulos, estereótipos, negação de oportunidades e acesso à saúde, além de abuso verbal, psicológico e físico. Infelizmente ser LGBTQIAPN+ no Brasil é estar frequentemente em risco de ser alvo de ódio.

A sociedade está em constante evolução, o que demonstra o quanto o preconceito e a falta de conhecimento adequado são destrutivos para esta população. Tal realidade pode ser combatida com trabalho, diálogo, dados, políticas públicas. Assim vamos conseguir reformular esta realidade tão triste, a que grande parte da população LGBTQIAPN+ é exposta até os dias de hoje.”

Registramos o nosso agradecimento a Luana Castro pela indicação de Alex. Conheça mais sobre ele no Instagram @psialexsodre.

 







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